|
TEXTOS SELECIONADOS ALTERNATIVA RH |
|||
|
Sexo no trabalho São dez,
doze horas diárias no escritório. E, entre uma tarefa e outra, você
repara que o colega engravatado é bem charmoso. Quantos homens e mulheres
têm feito sexo no trabalho? Muitos. O desafio é lidar com as conseqüências
que isso traz para a carreira. Joyce Moysés e Katia Cardoso O que ocorreu com
os dois casais não foram fatos isolados. Embora boa parte dos
empregadores mantenha o discurso da liberalidade, na prática nem sempre
é assim. "Essa questão não é tão discutida no Brasil quanto nos
Estados Unidos, onde as empresas têm uma política interna bem definida,
principalmente por medo do assédio sexual", afirma a consultora de
carreiras Elaine Saad, diretora da Right Saad Fellipelli. Aqui, as poucas
organizações que têm uma orientação clara são as que proíbem o
relacionamento. Nas outras, predomina a ambigüidade. Pesquisa
realizada pela sexóloga americana Shere Hite, autora do livro Sexo e Negócios
(Editora Bertrand Brasil), com 790 profissionais americanos e europeus
constatou: sete em cada dez homens já tiveram, alguma vez, um
envolvimento sexual na empresa e seis em cada dez mulheres também.
Segundo ela, 42% dos funcionários afirmaram estar vivendo affairs com
colegas. Não há dados estatísticos sobre o assunto no Brasil, mas é
evidente que os casos de paixão no local de trabalho também são comuns
por aqui. "A mulher entrou com tudo no mercado, responde por 40% da mão-de-obra
ativa no país, segundo o IBGE", lembra Ailton Amélio da Silva,
professor de relacionamento amoroso do Instituto de Psicologia da
Universidade de São Paulo. E 67% da população feminina entre 20 e 29
anos é solteira. "Além disso, passa-se a maior parte do dia
trabalhando: logo, é natural que a vida afetiva e sexual comece a girar
em torno desse ambiente", ele argumenta. Isso não significa, porém,
que todo mundo, inevitavelmente, vai manter relacionamentos íntimos no
escritório só porque convive diariamente e tem projetos em comum.
"Não é esperado, mas facilita", diz a psicoterapeuta Ana
Fraiman, que presta consultoria em desenvolvimento pessoal para grandes
empresas. Agora... e os
riscos para a carreira? "Como nunca, a mulher está preocupada com o
desenvolvimento profissional. Nesse sentido, ao se envolver sexualmente
com outro funcionário, ela pode estar arrumando mais um obstáculo para
superar na sua jornada", alerta a expert em carreiras Elizabeth
Martins. "Dependendo de onde trabalha, sua competência talvez seja
questionada, por ter cometido o 'pecado' de misturar emoções com negócios.
Ainda vivemos numa sociedade machista, com o predomínio dos homens na cúpula
das organizações, fato que lhes oferece maior proteção. Trocando em miúdos,
a corda costuma romper no lado mais fraco." Claro, nem sempre os
romances corporativos têm final infeliz - vide aqueles bem resolvidos,
com casamento e a continuidade no mesmo emprego -, mas é bom saber o
outro lado da moeda antes de decidir cair nos braços do colega pra lá de
charmoso. Namorar
o(a) chefe, não! Se as investidas
sexuais envolvem relações de poder, a coisa complica. "Romance
entre chefe e subordinado interfere nos resultados do trabalho, sim. Para
o superior, fica difícil manter a imparcialidade na hora de julgar atos,
ações e tomar decisões", afirma a psicóloga Ivete Lehman, da
Universidade de São Paulo. Por isso, muitas instituições fazem restrição
apenas a esse tipo de relacionamento, admitindo arroubos hormonais entre
colegas. "É para manter o nível de competência do grupo. Senão,
quem vai garantir que as promoções serão por mérito, e não por
favorecimento sexual?", pergunta Ivete. De acordo com a
psicóloga, a reação do grupo pode ser dura, cruel até. Surgem as
fofocas, os comentários maldosos e as insinuações. Como no ambiente
profissional há uma luta constante pelo poder, os casos têm repercussão
bastante negativa. "Se os profissionais forem de áreas distintas,
tudo bem. Caso contrário, um dos dois tem que mudar de setor ou sair da
companhia", reforça Andréa Marquez Fontes, diretora de
desenvolvimento organizacional da Visanet, que centraliza as operações
com cartões Visa no Brasil. Os empregados da Multibrás, fabricante dos
produtos Brastemp, lêem pela mesma cartilha. "É comum termos
namorados e marido e mulher na empresa, mas com uma das partes realocadas
em outra área. Dessa maneira, não há conflitos de interesse ou tráfico
de influência", explica Déia Gorayeb, diretora de recursos humanos. A recomendação
geral dos consultores é revelar o romance à chefia direta. "Se
mantiver segredo, quando o assunto vier à tona será com a força da
fofoca, o que gera mal-estar e desentendimentos", avisa Elaine Saad.
Mas o medo da repercussão para a carreira faz com que muita gente prefira
escondê-lo. A assistente técnica Cléia Gandolfi manteve em segredo seu
romance por quatro anos e meio com o programador de produção Alexandre
Tayar, seu colega na Arno. "Contamos apenas um pouco antes do
casamento, porque não dava mais para omitir. Até então, sempre mentíamos
quando as pessoas perguntavam sobre o fim de semana", comenta Cléia. Já Daniela
Garcia, gerente de novos negócios da Giusti Loducca, empresa direcionada
para a construção de imagem, seguiu a orientação dos consultores.
Optou pela transparência quando, em outro emprego, se envolveu com um
cliente. Detalhe: ele era noivo e ela separada. Dos almoços de negócios,
a dupla evoluiu para jantares, troca de e-mails e, por fim, o namoro.
"Não só abrimos o jogo internamente sobre o relacionamento como
pedi para ser afastada da conta. Fomos francos para evitar comentários de
que um estava tentando ajudar o outro, tirando proveito da situação.
Hoje, atuamos no mesmo ramo, então fazemos questão de manter o sigilo
para assuntos estratégicos", conta ela. Mesmo que a
empresa onde você trabalha não veja com maus olhos relacionamentos entre
funcionários, a consultora de marketing pessoal Esther Proença Mendonça
sugere certas medidas preventivas:
|