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Administração Holística

Consultor de planejamento estratégico propõe a visão holística como caminho para o sucesso das empresas.

Débora F. Lerrer

As máximas "aqui se faz, aqui se paga" e "cada um atrai o que lhe é semelhante" são freqüentadoras assíduas do discurso de religiosos, curadores e trabalhadores da alma em geral. Mas não se espante se ouvi-las em situações onde tais verdades espirituais seriam bem pouco prováveis - por exemplo, na boca de seu chefe ou numa reunião sobre a administração da sua empresa.

Estas equações espirituais precisam realmente ser levadas em conta no mundo altamente competitivo de hoje. E quem diz isso entende do negócio: Fernando Luzio, professor de planejamento estratégico do Master Business Administration (MBA) da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas, e consultor associado de empresas como a Ernst & Young e Trevisam.

Essa visão pouco ortodoxa não significa que Fernando Luzio descarte os instrumentos tradicionais de análise que tornaram os consultores profissionais altamente requisitados. Especialista em planejamento estratégico, o que ele propõe é associar essa visão com a concepção holística, que ele trata de introduzir de maneira camuflada em suas consultorias. Antes que seus clientes mais conservadores estranhem, ele toma a palavra "holístico" ao pé da letra e explica que se trata de "uma visão integrada, totalizadora" da administração de suas empresas.

Mas o que Luzio efetivamente quer introduzir sob esse nome é um conjunto de valores espirituais que servem de parâmetro para a empresa pensar a evolução de seus funcionários e, através disso, melhorar sua competitividade.

"Não adianta você criar uma visão estratégica ultra-competitiva, técnica, empresarial e mercadologicamente eficazes, se você não tiver um ambiente interno favorável para fazer com que as pessoas estejam constantemente envolvidas e inspiradas por ela", explica ele.

Luzio considera que os funcionários são o grande diferencial das empresas em uma época na qual as vantagens comparativas são tão temporárias. Logo, as empresas nas quais eles se sentem respeitados e valorizados são as que mais chance têm de se manterem altamente rentáveis. O maior exemplo disso, segundo ele, é a super poderosa Microsoft. Segundo avaliações, a maior parte do valor desta empresa é sua mão-de-obra altamente qualificada. E para mantê-la engajada em seu projeto de expansão, o maior orçamento interno da Microsoft é gasto justamente no setor de Recursos Humanos

RH com alma

Mas, a princípio, qual é a diferença entre um bom trabalho de RH e a visão holística defendida por Luzio? Ele explica que, em geral, há muitas empresas focadas em desenvolver a capacitação técnica - a mente - e proporcionar que seus funcionários tenham um corpo saudável, para agüentar o tranco. "Mas eles esquecem que as pessoas são também almas que vêm para essa vida para cumprir uma missão de aprendizado". Ou seja, para ele, não adianta só evoluir a mente e o corpo dos funcionários. A empresa tem que permitir que as pessoas se realizem pessoalmente e que a alma delas esteja em evolução.

"A diferença do meu trabalho com o que fazem os RH é que eles só avaliam os relacionamentos, a motivação e se os funcionários são respeitados. Não vão olhar a energia do ambiente, os valores que criam um centro de energia que atrai coisas positivas ou negativas".

É por essa razão que muitas empresas não deslancham, embora adotem visões estratégicas de ponta e tenham produtos competitivos. "Elas afundam em um buraco negro que engole tudo".

Em todos os workshops de planejamento estratégico que aplica, Luzio desenvolve uma pesquisa de clima da empresa, reunindo-se em separado com os líderes e com os funcionários. Essa pesquisa é que diagnostica se o ambiente de trabalho é bom ou ruim, atmosfera que, em geral, ele já sente no ar, logo ao entrar nesses locais. "Há empresas em que mal você entra, já sente um ambiente pesado. As pessoas tentam esconder que são carregadas, mas não adianta. A forma como elas estão vibrando reverbera no ambiente de trabalho".

Ele explica que em locais onde os donos ou os que detêm cargos de mando desrespeitam e exploram seus funcionários, a tendência é que o clima seja ruim - e essa atitude acaba atraindo para empresa situações de nível energético semelhante. Ou seja, um empresário explorador, mal-pagador, vai atrair fornecedores e funcionários exploradores, ou clientes que não pagam. Para o Luzio, se os efeitos desse ambiente de trabalho negativo não recaírem na empresa, eles certamente caem na família do empresário.

"Por exemplo, há um certo empresário que vive tendo problemas pessoais. A empresa tem alta rentabilidade, mas da mesma maneira como ele pisa nas pessoas, a vida pisa nele".

 Desenvolvimento espiritual pessoal

Justamente por ser oriundo do meio empresarial, Luzio não estranha nem um pouco a impermeabilidade que o empresariado tem com questões espirituais. Para ele, isso se explica porque o meio empresarial é um ambiente muito masculino, e o homem só costuma se abrir para a espiritualidade porque a empresa faliu, o casamento ruiu ou surgiu uma doença na família.

O próprio consultor só passou a levar a sério a espiritualidade depois que as seqüelas de um grave acidente de carro sumiram, um mês após iniciar tratamento espiritual com o grupo Expansão Cósmica.

"Até dois anos atrás eu era esse tipo de cara que dizia que espiritualidade é coisa de mulher. Só através da dor eu me abri para esse tipo de coisa", diz ele.

Depois do sucesso do tratamento com Dr. Brumel, que lhe aliviou as fortes dores que sentia no ombro recomposto com prótese, Luzio resolveu continuar o tratamento da casa chamado de "desenvolvimento espiritual".

Há dois anos ele segue o processo e afirma ter mudado da água para o vinho. "Fiquei mais feliz e bem sucedido. Antes eu era amarelo esverdeado. Não era uma pessoa realizada".

Parceiro da Expansão Cósmica nessa proposta de levar a visão holística e estratégica para a administração empresarial, Luzio já realizou três palestras sobre o assunto, orientado pelas entidades que trabalham lá. Ele reconhece que é um trabalho de formiguinha, mas enquanto espera haver abertura para esse trabalho, Luzio continua fazendo planejamento estratégico, introduzindo a visão holística de maneira disfarçada. "As empresas precisam tanto da visão estratégica como da visão holística. Se ela não tiver as duas coisas é como uma mesa com um pé bambo".