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TEXTOS SELECIONADOS ALTERNATIVA RH |
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Se espirrar... saúde! O
ilustre leitor, inteligente e perspicaz, perceberá rapidamente que esta
humilde reportagem fala de algo presente em nosso cotidiano das mais
diversas formas. Sentiu-se bajulado pela frase anterior? Era essa, ainda
que de forma exagerada, a intenção do autor. Mas o que interessa mesmo
é outra pergunta: apreciou ser bajulado? Não se acanhe em dizer que
sim. "Todo mundo gosta de um elogio", afirmou o presidente
americano Abraham Lincoln (1809-1865). "É assim que a bajulação
funciona: nós temos uma fortíssima propensão a acreditar naquilo em
que queremos acreditar", explica o jornalista Richard Stengel,
autor de Você é o Máximo! - A História do Puxa-Saquismo (Editora
Campus). "Convenciona-se que, se a palavra já
está dicionarizada, seu uso é pleno", afirma Welington Andrade,
professor de língua portuguesa.
LUBRIFICANTE
- Agimos dessa forma, sustenta ele, porque compreendemos que a bajulação
nessas circunstâncias é "o lubrificante necessário ao bom
funcionamento das engrenagens da civilização". "Sem isso,
teremos, nas palavras do sociólogo Erving Goffman, o caos na sala de
visitas. A estabilidade social depende de um certo grau de dissimulação.
Precisamos ter um rosto sempre preparado para os outros rostos que vamos
encontrar", afirma. Outra tentativa de definição: a bajulação
seria um tipo de propaganda na qual a informação é
"intencionalmente tendenciosa", espécie de máscara "que
protege e valoriza o bajulador ao mesmo tempo que valoriza também a
pessoa bajulada". "Bajulação pode também servir para
motivar subordinados" Martínez
reconhece a existência de chefes que incentivam a bajulação em torno
deles, mas recomenda que essa "massagem de ego" seja evitada a
qualquer custo. "Uma maneira prática de fazê-lo é tentar
reconhecer a validade dos comentários a seu respeito: 'Será que todos
pensam assim ou só quem o diz?', 'Qual o comportamento da pessoa com os
outros chefes?' e, finalmente, 'Valia a pena isso ser notado?'. Se tem
uma coisa que o bajulador gosta de fazer, é ressaltar as mais inóspitas
e escondidas virtudes de seu bajulado, como o jeito tão preciso e
eficaz em que estaciona o carro na vaga reservada da garagem." "Elogio estratégico é o míssil do
puxa-saco" Juliana
recorda que se esforçou: passou a dar bom-dia para a supervisora todas
as manhãs e chegou a presenteá-la com doces caseiros. "Mas
desisti porque essas atitudes me agrediam internamente, não fazem parte
da minha personalidade. Trato bem todas as pessoas com quem trabalho,
mas não levo jeito para bajuladora", lamenta. Tempos depois, uma
de suas colegas foi promovida para a vaga de monitora. "No quesito
puxa-saco, ela é nota 10", afirma. Pode parecer incrível, mas há
quem admita sem nenhum problema usar a bajulação como ferramenta no
ambiente de trabalho, como a agente de viagens Adriana Silva.
"Considero-me uma puxa-saco light, do tipo que não prejudica ninguém
para conseguir o que quer", diz. "Sei que meu chefe adora ser
bajulado, e faço de tudo para agradá-lo. Quando quero sair mais cedo,
por exemplo, compro bombons para ele. Trufas de chocolate são os
preferidos. Já consegui várias coisas assim, inclusive um aumento de
salário." Humano, demasiado humano. O querido e ilustre leitor tem
alguma brilhante contribuição a fazer? Conselhos
para o puxa-saco O
consultor Mauro de Oliveira resolveu propor alguns "conselhos"
para o funcionário puxa-saco durante um treinamento que ministrava.
"Sabe aquelas brincadeiras dos intervalos? Foi numa delas que
inventei a lista." Sua intenção era criticar, com humor negro, a
postura de pessoas que observou em seus 40 anos de experiência
profissional. 1.
O chefe não tem chefe. Abaixo dele vem Deus, com todas as imperfeições.
O Bajulador, no início do século, era conhecido em algumas regiões do Brasil como "pega-na-chaleira". O termo foi popularizado graças à marcha Gargalhada, de Eduardo Neves, e teve origem no poder exercido pelo senador gaúcho Pinheiro Machado. Dizia-se que, para agradá-lo, era preciso subir até sua casa no Morro da Glória, no Rio de Janeiro, e pôr água fervendo no seu chimarrão. Em 1945, os Anjos do Inferno gravaram a marcha O Cordão dos Puxa-Sacos, de Roberto Martins e Erathóstenes Frazão. Apesar da censura, a marcha fez sucesso no carnaval do ano seguinte. Seu refrão "o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais" é conhecido ainda hoje."Puxa-saco" era uma gíria militar usada para designar os soldados que carregavam a bagagem de seus superiores, então acondicionada em sacos. Como estabelece a hierarquia, cumpriam a tarefa humildes e obedientes.
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